
Litoral de SP terá centro de visitação subaquático com trilha de esculturas; veja vídeo
O litoral paulista ganhará um novo ponto turístico – e debaixo d’água. Com previsão de inauguração até o fim do mês, o primeiro centro de visitação subaquático de água salgada do Brasil ficará a 500 metros da faixa de areia da Praia do Guaiúba, no Guarujá.
Em alto mar, a proposta é transformar o mergulho em uma experiência contemplativa. A 8,5 metros de profundidade (altura parecida com três andares de um prédio residencial comum), será possível procurar 15 esculturas, feitas de concreto neutro, que representam a cultura brasileira e paulista, especialmente as comunidades tradicionais do litoral.
A escolha do local, ao lado da Ilha do Mato, contou com análises técnicas e consultas públicas, desde junho de 2025, de diversos setores envolvidos, desde ambiental, pesca, turismo e mergulho. Foram também consultados órgãos ambientais e de patrimônio nacionais e estaduais para andamento do projeto.
A ideia é do governo paulista, liderada pela Secretaria de Turismo e Viagens (Setur-SP), e tem como objetivo atrair visitantes nacionais e internacionais, na tentativa de consolidar o litoral paulista como destino para o turismo de experiência, especialmente voltado ao mergulho.
Hoje, o Estado de São Paulo tem 99 pontos de mergulhos catalogados em 11 cidades diferentes, mas a proposta do centro subaquático é oferecer um diferencial ao unir arte, natureza e turismo em um mesmo espaço.
“O Guaiúba nunca chamou muita atenção porque quando a pessoa pensa em vida marinha, ela vai pensar na Laje de Santos, em Alcatrazes, porque a diferença é muito grande, desde a quantidade de vida quanto a visibilidade da água. Agora, com as estátuas, a gente tem algo que não existe em outro lugar do Brasil em água salgada”, opina o instrutor de mergulho Lucca Savio, da empresa Estação do Mar. Para ele, o passeio ideal é juntar os dois estilos de mergulho: “Um dia um mergulho na Laje e outro nas estátuas é o combo perfeito.”
Como é a visita?
Na prática, o centro foi pensado para atender tanto mergulhadores experientes quanto iniciantes. Conforme explica Savio, a profundidade de 8,5 metros está dentro do limite considerado seguro para o chamado “batismo”, quando a pessoa mergulha pela primeira vez, acompanhada por profissionais.
Apesar de poder ser feito por conta própria, com óculos de natação, a recomendação é que a experiência seja feita com cilindro. “Talvez nos melhores dias de verão, entre novembro e março, seja possível ver as esculturas com snorkel, mas o mais indicado é que seja usado o cilindro”, indica o mergulhador.
A dinâmica de visitação também foi pensada para facilitar a navegação subaquática. As esculturas estão distribuídas em um raio de cerca de 50 metros e interligadas por cabos no fundo do mar. Ao encontrar uma das obras, o visitante consegue acessar todas as outras seguindo essa espécie de “trilha” submersa.
“Achou uma, você acha todas. Elas estão conectadas entre si, então o mergulho fica bem guiado e seguro, mesmo em dias com menor visibilidade”, diz Savio.
Na superfície, boias sinalizam a área e ajudam a evitar a circulação de embarcações no local, aumentando a segurança para quem está na água. Segundo o instrutor, o mar na região costuma ser calmo, o que também contribui para a acessibilidade da atividade.
A visitação ao local será gratuita, mas a experiência deve ser realizada com o apoio de operadoras e escolas de mergulho, que cobrarão pelos serviços prestados. Na empresa Estação do Mar, por exemplo, o passeio sairá a partir de R$ 240. O acesso poderá ser feito a partir da praia, em poucos minutos de deslocamento.
Como são as esculturas?
As obras são assinadas pelo artista plástico Adélio Sarro, que há décadas se dedica à arte pública. Em pé, as esculturas têm entre 1,70 metro e 2,45 metros e pesam até três toneladas. Elas representam personalidades e figuras ligadas ao desenvolvimento da cidade e do Estado, como Cândido Portinari e Santos Dumont.
As estátuas foram feitas com material resistente ao ambiente marinho e devem, com o tempo, interagir com a natureza, podendo servir inclusive como base para a formação de vida marinha.
O projeto prevê monitoramento ambiental contínuo, com estudos sobre o impacto na biodiversidade marinha e nas comunidades locais. A ideia é que, além de atrativo turístico, o espaço contribua para o desenvolvimento sustentável da região.
Foram feitos estudos para que as estátuas não causem impactos negativos ao meio ambiente, mas que possam ser uma nova fonte de substrato para a base da cadeia trófica. “Com o tempo vão começar a incrustar microrganismos nas estátuas e, depois, vêm os crustáceos, que são a fonte de alimentação dos pequenos peixes. Esses pequenos peixes vão ver que tem comida ali, vão começar a rodear. Eles, por sua vez, servem de alimento para peixes maiores. E assim segue a cadeia”, explica Lucca Savio.
Inspirações pelo mundo
No mundo existem cerca de dez museus ou centros subaquáticos com essa proposta, que serviram de inspiração para o modelo paulista, como o Museu Subaquático de Arte de Cancún (MUSA), o Parque de Esculturas Subaquáticas Molinere, em Granada, no Caribe, o Museu de Arte Subaquática (MOUA), em Townsville, na Austrália, e até o Mundo Submerso da Disney, na ilha privada da marca, Castaway, nas Bahamas. Estima-se que museus como esses atraiam um público de cerca de 1 milhão de visitantes anualmente.
Em Bonito, o primeiro Museu Subaquático de água doce do mundo foi inaugurado em 2021. No momento, o passeio está suspenso para restruturações.
O projeto no Guarujá é o primeiro do tipo no País, mas não deve ser o único. De acordo com a prefeitura, um segundo centro de visitação subaquático já está em planejamento para o litoral norte, em São Sebastião.






