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Hapvida cai forte após ajuste e pressão operacional: ação recua quase 9% na B3

Com redução de participação dos controladores e pressão em custos, Hapvida (BOV:HAPV3) enfrenta nova sessão de queda; mercado reage a projeções de menor base de beneficiários e margem pressionada.

A Hapvida Participações (BOV:HAPV3) registra forte queda nesta terça-feira (28/04), refletindo um movimento de realização de lucros após um rali recente e a deterioração das expectativas operacionais. Por volta das 15h46, as ações da companhia recuavam 8,82%, cotadas a R$ 11,99, em um pregão marcado por elevada volatilidade e aumento do volume negociado na bolsa de valores brasileira (B3).

O movimento ocorre após a empresa divulgar, na sexta-feira anterior, a redução da participação de seus acionistas controladores para 52,47% (ou 55,51% desconsiderando ações em tesouraria). A mudança acendeu um alerta entre investidores, especialmente em um momento em que a companhia enfrenta desafios operacionais relevantes, incluindo pressão de custos e desaceleração no crescimento da base de beneficiários.

Na visão do banco norte-americano Morgan Stanley, a Hapvida segue pressionada após um trimestre considerado fraco. A instituição projeta uma perda líquida de aproximadamente 60 mil beneficiários em relação ao trimestre anterior, além de uma elevação na taxa de sinistralidade para 73,6%, impulsionada pelo aumento de reembolsos e maior aprovação de procedimentos médicos, estratégia adotada para reduzir riscos judiciais.

Outro ponto de atenção destacado é a subutilização da estrutura hospitalar da companhia, que tende a elevar os custos operacionais. Em paralelo, o ambiente competitivo no setor de saúde suplementar limita a capacidade de repasse desses custos aos clientes, pressionando ainda mais as margens.

Mesmo com iniciativas de eficiência, o Morgan Stanley estima que as provisões para despesas civis, trabalhistas e tributárias devem alcançar R$ 240 milhões, acima dos R$ 168 milhões registrados no quarto trimestre de 2025 — período que contou com um efeito não recorrente positivo. A projeção para a margem EBITDA é de 8,4%, com lucro líquido ajustado estimado em R$ 79 milhões.

No pregão desta terça-feira (28/04), o comportamento das ações reforça o viés negativo: os papéis abriram a R$ 13,05, atingiram máxima de R$ 13,07 e mínima de R$ 11,92, antes de se estabilizarem próximos dos R$ 12,00. O desempenho indica uma forte pressão vendedora ao longo do dia, refletindo o ajuste após quatro sessões consecutivas de alta que haviam acumulado valorização superior a 15%.

A Hapvida é uma das maiores operadoras de planos de saúde do Brasil, com atuação verticalizada que integra serviços hospitalares, clínicas e planos médicos. A companhia compete diretamente com players como Rede D’Or (BOV:RDOR3) e SulAmérica, em um setor caracterizado por alta regulação, forte concorrência e sensibilidade a custos médicos.

Apesar do cenário desafiador no curto prazo, investidores seguem atentos aos próximos resultados trimestrais e à capacidade da empresa de recompor margens e estabilizar sua base de beneficiários.

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