
Festival de Cinema Europeu Imovision
Créditos da imagem:
Barbara Ronchi em Diva Futura (Reprodução)
Barbara Ronchi acha curioso contrastar a Itália dos anos 1980 e 1990, quando se passa o filme Diva Futura, com o país que observa na atualidade. A atriz, que interpreta a jornalista e escritora Debora Attanasio no longa, falou durante coletiva do Festival de Cinema Europeu Imovision 2026 sobre a “regressão ao conservadorismo” que enxerga na sociedade italiana durante as últimas décadas.
“[A atriz pornográfica] Cicciolina entrou para o parlamento da Itália [em 1987]. Ela foi apoiada pelo Partido Verde na época, como uma espécie de provocação. Acho que a Itália estava pronta, digamos assim, para provocar o status quo”, comenta. “E ela entra na política com provocações sobre liberdade sexual, provocações também sobre o uso recreativo de drogas leves. Essa era a posição que a Itália tinha na época, o país estava se colocando contra o conservadorismo. E quando você vê isso hoje através dos olhos de 2026, parece bastante… exótico”.
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A fala é uma referência velada ao governo de Giorgia Meloni, do partido de extrema direita Brothers of Italy, apontado por muitos como uma renascença do fascismo dentro da Itália. Nesse contexto, Diva Futura parece especialmente oportuno, com sua crônica do estúdio pornográfico de mesmo nome, fundado por Cicciolina e Riccardo Schicchi, que conduziu a indústria dos filmes +18 no país ao seu auge de lucro e influência cultural.
Como qualquer história sobre pornografia, no entanto, Diva Futura promete causar controvérsia. A indústria pornográfia tem um longo histórico de abuso e desrespeito aos limites de suas estrelas, e o longa – dirigido e escrito por Giulia Louise Steigerwalt – se desdobra para tentar abordar todos os ângulos da história que tem em mãos.
“Essas personagens se viam, dentro do estúdio, como mulheres fortes, desejadas por todos, mas isso se chocava com a imagem pública delas”, reflete Ronchi. “Por exemplo, elas se tornavam mães e zombavam dos filhos na escola, por conta da profissão que elas exerciam. Elas não tinham mais nenhum controle de sua vida pública, especialmente conforma a indústria da pornografia se tornou aquilo que nós conhecemos hoje. Então, não acho que há um jeito certo ou errado de olhar para isso”.
O Festival de Cinema Europeu Imovision acontece em diversas salas de cinema espalhadas pelo Brasil entre os dias 23 e 29 de abril. São 14 filmes ao todo, incluindo produções estreladas por Charli XCX (Erupcja) e Tony Leung (Amiga Silenciosa). Confira a programação neste link.
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