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Documentarista da natureza David Attenborough completa 100 anos

Em seu centenário, naturalista britânico acaba de lançar filme na Netflix. Com vida marcada por superlativos, ele cativou o público com seus documentários sobre a natureza e o mundo animal.Se fosse preciso descrever o renomado apresentador de televisão, naturalista e autor britânico David Attenborough com um adjetivo, ele seria “incansável”. Mesmo que, com o avanço da idade, Attenborough, que completa 100 anos nesta sexta-feira (08/05), tenha se tornado fisicamente um pouco mais lento, sua paixão pela natureza e seu entusiasmo em compartilhá-la com o público não diminuiu.




David Attenborough entrou para o Guinness com o recorde de “carreira mais longa como apresentador de TV”

Foto: DW / Deutsche Welle

Attenborough é sinônimo do mundo natural por ele descrito em seus documentários mundialmente conhecidos. De acordo com o Guinness Book, ele detinha o recorde de “carreira mais longa como apresentador de TV”. Após sua estreia nas telas em Animal Disguises (“Disfarces dos animais”), na emissora britânica BBC, em 1953, se passaram 67 anos e 151 dias até que a série Um planeta perfeito encerrasse sua exibição no canal em janeiro de 2021.

Mas ele não parou. Em 2022, estreou na Apple TV Planeta pré-histórico – uma impressionante viagem cinematográfica no tempo de volta à era dos dinossauros. E, em abril deste ano, ele lançou um documentário na Netflix, A História de Um Gorila com David Attenborough.

Sua vida foi repleta de superlativos: 32 títulos universitários honorários; dois títulos de cavaleiro do Império britânico; um milhão de seguidores em pouco menos de cinco horas após criar uma conta no Instagram em 2020.

A fama global de Attenborough era tanta que, quando a BBC lançou seu documentário Planeta Azul 2 em 2017, ele foi tão baixado na China que supostamente deixou lenta a internet do país.

Attenborough foi condecorado pela Rainha Elizabeth 2ª em 1985, mas recebeu uma honraria ainda maior do então príncipe Charles em junho de 2022 por seus documentários sobre a natureza e seu ativismo, tornando-se Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem de São Miguel e São Jorge. Em abril do mesmo ano, recebeu a mais alta honraria ambiental das Nações Unidas, o Prêmio Campeões da Terra da ONU pelo conjunto de sua obra.

Juntamente com o papa Francisco e a Organização Mundial da Saúde (OMS), foi também um dos indicados ao Prêmio Nobel da Paz de 2022.

Frequentemente referido pela imprensa britânica como o “tesouro nacional” – termo que ele não apreciava muito -, ele também teve a distinção de ser a única pessoa a ganhar o prêmio Bafta do Reino Unido por programas de televisão em preto e branco, colorido, alta definição, 3D e 4K.

Fascínio precoce por fósseis

David Frederick Attenborough nasceu em 8 de maio de 1926 na Inglaterra, o segundo de três filhos homens. É irmão, Richard, foi o renomado ator e diretor que interpretou John Hammond no filme O Parque dos Dinossauros de 1993 e em sua sequência de 1997, e dirigiu o filme vencedor do Oscar Gandhi em 1982.

Fósseis sempre fascinaram David Attenborough, mesmo quando criança. Em uma entrevista de 2019 para a revista alemã Der Spiegel, ele disse que considerava algo mágico encontrar os restos mortais de uma criatura ancestral que “não via a luz do sol há 150 milhões de anos”. Consequentemente, ele passou grande parte da infância pedalando durante quilômetros até pedreiras em busca de fósseis.

Em 1936, Attenborough assistiu a uma palestra do famoso escritor e conservacionista britânico Archibald Belaney, que inspirou ainda mais sua paixão pela flora e fauna, assim como seu ativismo ambiental.

Após se formar na Universidade de Cambridge em 1947, com um diploma em Ciências Naturais, David Attenborough prestou dois anos de serviço militar na Marinha Britânica. Em 1950, ele se candidatou a um emprego no serviço de rádio da BBC, quando foi questionado se gostaria de experimentar o novo programa de trainees da emissora, contou Attenborough em uma entrevista ao jornal Daily Mail em 2010.

Seus chefes, no entanto, tinham dúvidas sobre sua imagem diante da TV, disse Attenborough. “Descobri 40 anos depois o que disseram de mim como trainee: ele poderia ser um sujeito perfeitamente agradável, poderia ser um produtor perfeitamente bom, mas não deveria ser usado novamente como entrevistador diante das câmeras porque seus dentes são muito grandes.”

Ao final, foi o acaso que fez com que Attenborough se tornasse um apresentador diante das câmeras quando a primeira opção para o cargo ficou doente. Gradualmente, ele ascendeu na carreira na BBC, tornando-se chefe da BBC 2 – onde supervisionou a introdução da televisão colorida pela primeira vez na Europa. Ele também aprovou a realização da primeira grande série produzida pelo grupo de comédia Monty Python, a Monty Python’s Flying Circus, em 1969.

Campeão do “semi-sussurro”

No entanto, ele rejeitou uma carreira na administração da BBC, optando por unir seu amor pela natureza à radiodifusão. Ele narrou todos os episódios da série sobre a vida selvagem BBC Wildlife on One (1977-2005). Ele também foi narrador de outros documentários de grande repercussão da BBC sobre vida selvagem, como Planeta azul e Planeta Terra.

A série de 13 episódios A vida na Terra foi o primeiro programa a viajar pelo mundo para filmar animais em seus habitats naturais. Foi um sucesso quando foi ao ar em 1979, sendo expandida pela BBC para 100 territórios diferentes, atraindo 500 milhões de espectadores.

A essa altura, ele já havia desenvolvido seu “estilo patenteado de narrar em semi-sussurro”, como observou a rádio americana NPR em 2021, descrevendo também como Attenborough “percorreu o globo e compartilhou suas descobertas e entusiasmo”.

Ele combinou a radiodifusão com a escrita, escrevendo um volume que acompanha cada um dos seus documentários Vida. Escreveu também prefácios e introduções para Planeta Terra, Planeta Gelado, África e outras séries da BBC que narrou.

Mais de 40 espécies levam o seu nome

Attenborough talvez seja mais lembrado pelos inesquecíveis encontros próximos que teve com alguns animais durante seus documentários. Ao se aproximar de gorilas em Ruanda em Vida na Terra, se sentiu comovido ao proferir a frase improvisada: “há mais significado e compreensão mútua em trocar um olhar com um gorila do que com qualquer outro animal que conheço”.

Durante as filmagens de Aves do paraíso, várias tomadas foram necessárias depois que uma dessas aves, bastante atrevida, interrompeu repetidamente e divertiu o apresentador com seus grasnidos e passos de dança extravagantes.

Portanto, não é de se surpreender que mais de 40 espécies de flora e fauna – vivas e extintas – tenham sido nomeadas em sua homenagem. Isso inclui um réptil marinho pré-histórico chamado Attenborosaurus; e uma libélula de Madagascar chamada Arrabio de Attenborough.

Havia, porém, um animal que ele desprezava. “Eu realmente odeio ratos. Já manuseei aranhas, cobras e escorpiões mortais sem pestanejar. Mas se eu vir um rato, serei o primeiro a correr”, escreveu em seu livro de 2009, New Life Stories.

Sem jamais perder a esperança

Em seus últimos anos, David Attenborough usou sua vasta experiência e status de celebridade para promover a conscientização sobre as mudanças climáticas e a proteção ecológica, participando ou discursando em grandes conferências globais e políticas. No entanto, foi sua escolha equilibrada de palavras – urgente, mas não terrível – que repercutiu entre seus espectadores.

“Agora podemos destruir ou podemos valorizar, a escolha é nossa”, disse ele na minissérie Planeta Terra, de 2009.

Em um artigo felicitando o fato de ele ter sido agraciado com a mais alta honraria ambiental das Nações Unidas, o Prêmio Campeões da Terra da ONU pelo conjunto de sua obra, o escritor Simon Barnes disse que “se o mundo realmente for salvo, Attenborough terá tido mais a ver com sua salvação do que qualquer outra pessoa que já viveu.”

A julgar pelos esforços que Attenborough fez para trazer as maravilhas da natureza para nossas salas de estar, Barnes pode estar certo disso.

Fonte: Clique aqui