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Com déficit de 22 cv, Ferrari detalha erros de acerto em Miami e aposta no potencial do SF-26

Dados apontam déficit de 22 cv e falhas no acerto de pneus. Maranello aposta em evolução de motor e no real valor do carro para reagir




Foto: Scuderia Ferrari / Reprodução

A Ferrari desembarcou em Miami com o objetivo de comprovar o salto de qualidade de suas atualizações, mas viu a corrida na Flórida expor fraquezas em sua unidade de potência e falhas de ajuste no SF-26. Após o carro perder rendimento com a entrada do safety car, abrindo margem para a liderança de Lando Norris, dados técnicos confirmaram que o modelo sofre com o déficit de motorização. No entanto, segundo apuração da edição italiana do site Motorsport.com, os engenheiros de Maranello seguem confiantes de que o carro esconde um potencial ainda não revelado, que lhes permitirá dar a volta por cima na sequência desta temporada de 2026.

Os números analisados pela Scuderia após a etapa norte-americana dissiparam o mistério: a unidade de potência é o atual “calcanhar de Aquiles”. Ainda que a diferença para o motor da Mercedes não seja de 30 cavalos, como apontavam alguns comentaristas pelo paddock, o déficit real em relação à referência do grid é estimado entre 21 e 22 cv. Agora, o departamento de motores comandado por Enrico Gualtieri tem a missão de reduzir essa desvantagem pela metade.

Para chegar a esse número, a equipe italiana já trabalha em desenvolvimentos que serão introduzidos usando as cotas ADUO (Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualização), um mecanismo concedido pela FIA para que as montadoras em desvantagem técnica possam evoluir ao longo do ano. As modificações planejadas para a versão 067/6 do motor incluem intervenções na câmara de combustão, melhorando o comportamento em altas rotações, além de mudanças na inclinação e no número de palhetas da turbina. A expectativa é que o pacote atualizado ganhe as pistas com o terceiro motor da temporada, que deve ser antecipado para o GP da Bélgica.

Além do desafio imposto pelos cavalos a menos, a Ferrari esbarrou em um sério problema operacional na janela dos pneus em Miami. Nas primeiros 12 voltas, Charles Leclerc andou de forma consistente na ponta, resistindo bem após incidentes da primeira volta, como o toque do piloto Franco Colapinto em Lewis Hamilton. Porém, durante a neutralização pelo safety car, a temperatura dos pneus traseiros despencou. Ao tentar reaquecê-los na relargada, a borracha superaqueceu subitamente e saiu da janela ideal de operação.

Esse acerto “não ideal”, possivelmente derivado de uma configuração conservadora adotada pela ameaça de chuva, comprometeu muito a tração e tirou a eficácia do complexo sistema aerodinâmico (FTM) de escapamento soprado, desenhado para otimizar o extrator traseiro. Como resultado direto, a SF-26 passou a escorregar excessivamente na pista.

Apesar de constatar que rivais como McLaren e Red Bull demonstraram ter compreendido e acertado seus carros de forma mais rápida do que o time chefiado por Fred Vasseur até aqui, a Ferrari mantém a confiança no projeto chefiado pela equipe técnica de Loic Serra e enxerga que o pacote de atualizações de Miami surtiu os efeitos teóricos desejados. O GP de Montreal deverá de verificação real para o que faltou em Miami, mas a grande aposta do Cavallino Rampante a curto prazo é no GP de Mônaco, pista onde a desvantagem da unidade de potência importa muito menos, abrindo uma vitrine para o SF-26 tentar uma nova vitória na F1.

Fonte: Clique aqui