
Cerca de 13 cientistas morreram ou desapareceram nos EUA. O que está acontecendo?
Pelo menos 11 cientistas americanos ligados a programas de pesquisa nuclear e espacial dos EUA morreram ou desapareceram nos últimos anos, o que levou a uma investigação federal sobre uma situação que o presidente Donald Trump chamou de “muito séria”.
🎧 Do universo de fã ao universo da música: tudo que você ama em um só lugar. Siga @centralsonora.
Em 20 de abril, o Comitê de Supervisão e Responsabilidade da Câmara dos EUA anunciou que investigaria as mortes e desaparecimentos depois que o presidente do comitê, James Comer (republicano do Kentucky), alertou no programa Fox & Friends que “algo sinistro poderia estar acontecendo”. Comer disse que a princípio pensou que fosse “algum tipo de teoria da conspiração maluca”, mas agora acredita que possa ser uma questão de segurança nacional.
A CNN informou que o FBI está liderando os esforços para encontrar conexões entre os cientistas desaparecidos e os falecidos, e está trabalhando em conjunto com o Departamento de Energia, o Departamento de Defesa e as autoridades policiais estaduais e locais. A NASA publicou em seu perfil que está “coordenando e cooperando com as agências relevantes em relação aos cientistas desaparecidos”, mas que, no momento, não identifica nenhuma ameaça à segurança nacional.
Trump reduziu drasticamente o financiamento para pesquisa científica em seu segundo mandato, abrindo caminho para que outros países contratassem cientistas renomados. Será que o desaparecimento desses pesquisadores faz parte de uma fuga de cérebros? Alguns parlamentares republicanos parecem acreditar que sim. O deputado Eric Burlison (republicano do Missouri) publicou no X: “Estamos em competição com a China, a Rússia e o Irã em tecnologia nuclear, armas avançadas e espaço. Enquanto isso, nossos melhores cientistas continuam desaparecendo.”
Quem são os cientistas que morreram ou desapareceram?
Questionamentos sobre uma possível ligação sinistra entre as 11 mortes e os desaparecimentos começaram a surgir depois que William Neil McCasland, um ex-major-general da Força Aérea dos EUA de 68 anos, foi dado como desaparecido em sua casa em Albuquerque por sua esposa em 27 de fevereiro de 2026. McCasland deixou para trás seus óculos de grau, telefone e aparelhos eletrônicos; acredita-se que ele tenha levado consigo seu revólver calibre .38. Dois meses depois, as autoridades ainda não sabem para onde ele foi.
McCasland foi o antigo comandante da base Wright-Patterson, peça central no Caso Roswell (recuperação, em julho de 1947, dos fragmentos de um balão num rancho próximo da cidade de Roswell, no Novo México, que gerou diversas teorias da conspiração).
Sua ligação com o folclore dos OVNIs e programas secretos de armas espaciais alimentou as especulações iniciadas pelo YouTuber Daniel Liszt, que publicou um vídeo teorizando que um físico português foi assassinado por causa de seu trabalho em pesquisa avançada de fusão nuclear. Nuno Gomes Loureiro, renomado professor de ciências nucleares, foi morto a tiros em sua casa em Massachusetts em dezembro de 2025. Ele havia sido recentemente nomeado diretor do Centro de Ciência de Plasma e Fusão do MIT.
Liszt, que usa o pseudônimo Dark Journalist, teorizou que o trabalho de Loureiro era “potencialmente tão transformador que, se você obtiver uma vantagem real na pesquisa… você se torna uma espécie de banco de dados que precisa ser apagado”. Ele relacionou o assassinato de Loureiro às mortes de outros cientistas que trabalharam no programa Iniciativa Estratégica de Defesa (SDI) dos EUA.
A influenciadora de direita Jessica Reed Kraus escreveu um artigo no Substack em fevereiro, traçando paralelos entre a morte de Loureiro e a do astrofísico Carl Grillmair, que foi morto a tiros em frente à sua casa na zona rural da Califórnia. Em outra publicação, ela classificou o desaparecimento de McCasland como um “Alerta de Conspiração!”. O Daily Mail deu grande destaque à história em março, noticiando que o “mistério de cinco cientistas desaparecidos causa arrepios nos Estados Unidos”.
O que une esses cientistas?
Comer e outros legisladores afirmam que a série de mortes e desaparecimentos misteriosos começou em julho de 2023 com a morte de Michael David Hicks, cientista de 59 anos especializado em pesquisa de cometas e asteroides no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA, na Califórnia. Também houve especulações em torno do suicídio, em 2022, de uma cientista da área de antigravidade, Amy Eskridge, depois que o Daily Mail relacionou sua morte às demais. Eskridge, pesquisadora do Alabama, revelou em uma entrevista confusa em 2020 que planejava divulgar informações sobre OVNIs e extraterrestres e que estava recebendo ameaças por isso.
Os casos variam bastante em circunstâncias e abrangem vários anos. O pesquisador espacial do JPL, Frank Maiwald, faleceu em julho de 2024; a causa de sua morte não foi divulgada publicamente. Anthony Chavez, um engenheiro aposentado que trabalhou no Laboratório Nacional de Los Alamos em pesquisas sobre armas nucleares, desapareceu de sua casa no Novo México em maio de 2025. A assistente administrativa do laboratório de Los Alamos, Melissa Casillas, desapareceu em junho de 2025; ela foi vista pela última vez caminhando ao longo de uma rodovia a poucos quilômetros de sua casa.
Monica Jacinto Reza trabalhava como diretora de processamento de materiais no JPL quando desapareceu enquanto fazia uma trilha com uma amiga na Floresta Nacional de Angeles em junho passado. Steven Garcia, zelador com alto nível de autorização de segurança em uma instalação da Administração Nacional de Segurança Nuclear em Albuquerque, desapareceu em agosto de 2025. O cientista farmacêutico Jason Thomas desapareceu em dezembro passado; ele foi encontrado morto em 17 de março de 2026.
Quais são as teorias da conspiração?
O elo comum entre os 11 mortos e desaparecidos parece ser o fato de todos terem acesso a pesquisas nucleares e aeroespaciais sensíveis. Em comunicado à imprensa para anunciar a investigação, o Comitê de Supervisão da Câmara afirma que “essas mortes e desaparecimentos podem representar uma grave ameaça à segurança nacional dos EUA e ao pessoal americano com acesso a segredos científicos”. Internautas dizem que os casos estão ligados porque os cientistas trabalhavam em projetos relacionados ao desenvolvimento de energia limpa, enquanto o deputado Eric Burlison declarou à Fox News: “Isso tem todas as características de uma operação estrangeira”.
Os críticos dizem que é simplesmente uma teoria da conspiração. A agente aposentada do FBI, Jennifer Coffindaffer, disse à Newsweek que as alegações “desmoronam quando examinadas sob princípios básicos de investigação”. Erin Ryan, co-apresentadora do podcast de comentários políticos Hysteria, chamou isso de “sintoma da retórica anticientífica do MAGA”: “Acho que é uma maneira de pessoas da extrema direita tentarem se eximir da culpa por criar um ambiente que é realmente perigoso para os cientistas”. Daniel Engber, do The Atlantic, escreveu: “Chamar isso de teoria da conspiração seria muito generoso, porque nenhuma teoria abrangente foi apresentada para explicar o padrão dos eventos”. No geral, continuou Engber, a história é “inacreditavelmente estúpida”.
Por que existe uma investigação federal?
A história dos cientistas desaparecidos e mortos ganhou proporções alarmantes quando autoridades republicanas alegaram que se tratava de uma notícia séria. Em 15 de abril, o repórter da Fox News, Peter Doocy, questionou a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, sobre os cientistas; dois dias depois, Leavitt anunciou que a Casa Branca abriria uma investigação.
A congressista Anna Paulina Luna (republicana da Flórida) publicou: “Se você está se sentindo desconfortável com o número de cientistas desaparecidos, mortos e com os recentes suicídios envolvendo esses cientistas e outros, sua intuição está correta”. O deputado James Walkinshaw (democrata da Virgínia), que integra a Comissão de Supervisão com Comer e Burlison, adotou um tom cauteloso sobre a investigação, declarando à CNN: “Os Estados Unidos têm milhares de cientistas e especialistas nucleares. Não é o tipo de programa nuclear que um adversário estrangeiro possa impactar significativamente atacando dez indivíduos”.
Trump afirmou esta semana que a investigação ainda não encontrou evidências de uma ligação entre as mortes e os desaparecimentos. “Alguns dos casos que analisamos são muito tristes; em alguns casos, as pessoas estavam doentes. Algumas tiraram a própria vida. Outras tinham outros problemas”, disse Trump a repórteres. “Vamos fazer um relatório completo. E é algo muito sério.”
O que dizem as famílias dos cientistas?
Familiares dos mortos e desaparecidos estão frustrados com a onda de teorias da conspiração. A filha de Michael David Hicks afirmou que as especulações sobre a morte de seu pai a abalaram. “Pelo que sei do meu pai, não há lógica alguma que o implique nesta possível investigação federal”, disse Julia Hicks à CNN. “Não entendo a ligação entre a morte do meu pai e a dos outros cientistas desaparecidos. Não consigo evitar rir disso, mas, ao mesmo tempo, a situação está ficando séria.”
O pai de Amy Eskridge, Richard Eskridge, ex-cientista da NASA, negou que o suicídio da filha fosse suspeito: “Cientistas também morrem, assim como qualquer outra pessoa”, disse. A esposa de William McCasland escreveu no Facebook que, quando McCasland estava na Força Aérea, ele tinha acesso a “alguns programas e informações altamente confidenciais”, mas que ele estava aposentado há mais de uma década. “Parece bastante improvável que ele tenha sido levado para extrair segredos muito antigos dele.”
Apesar da investigação federal, a família de Monica Jacinto Reza afirma que ninguém da Casa Branca ou do FBI entrou em contato com qualquer membro da família a respeito de seu desaparecimento. Eles rejeitam qualquer sugestão de que Reza estivesse trabalhando em algo que pudesse ter colocado sua vida em risco. Em entrevista à LA Mag, um parente de Reza disse: “Ela era apenas uma pessoa comum que tinha uma família.”
Independentemente de serem ou não credíveis, as teorias da conspiração continuam surgindo. O jornal Mercury News noticiou que o deputado Burlison apresentou mais dois nomes que, segundo ele, merecem investigação: Matthew James Sullivan, ex-oficial de inteligência da Força Aérea que morreu de overdose em 2024; e Ning Li, física especializada em antigravidade que morreu em 2021, aos 79 anos, após ser atropelada. Há também o caso de Joshua LeBlanc, cientista nuclear da NASA que morreu em um acidente de carro no Alabama no ano passado.
Em 30 de abril, Burlison publicou no X: “O número subiu para 13. Treze cientistas americanos ligados à pesquisa nuclear e espacial, desaparecidos ou mortos. Todos os adversários do planeta comemoram cada um que perdemos. Estamos mais fracos como nação hoje por causa dessas perdas, e estou trabalhando para obter respostas.”
Gostou dessa postagem? Compartihe..



Mais visualizados!
Brasil07/05/2026Drama! Jogador abandona carreira por causa de sucessivas pancadas na cabeça
Jogos07/05/2026Stop Killing Games alerta: leis de verificação de idade ameaçam preservação de games
Esporte07/05/2026Ministério Público arquiva inquérito de disputa entre Bigode, Scarpa e Mayke
Brasil07/05/2026Brasil está bem posicionado na corrida por minerais críticos, diz diretor do CEBC



