
Yoko Taro explica que virou diretor de Drakengard por “falar demais”
Yoko Taro, criador de Nier: Automata, não planejou se tornar diretor. Pelo menos é o que ele mesmo diz. A história por trás de sua estreia na cadeira de direção, no Drakengard de 2003, foi revelada em um trecho do livro The Worlds of Yoko Taro. O relato, colhido pelo escritor Teppei Fujiwara, expõe uma trajetória construída mais por circunstâncias do que por ambição.
Durante o desenvolvimento de Drakengard na então ativa produtora Cavia (agora extinta), a cadeira de diretor estava originalmente reservada para outro nome. “Inicialmente, o produtor da Cavia, Takuya Iwasaki, também deveria dirigir Drakengard”, recorda Yoko. O problema é que a Cavia trabalhava em paralelo no Resident Evil: Dead Aim, e o projeto consumia praticamente todo o tempo de Iwasaki.
“Dada a situação dele”, explica Yoko, “decidiram que seria demais para ele assumir o papel de diretor. O que naturalmente levou à questão de quem tomaria seu lugar.” A resposta surgiu de forma pragmática: Yoko era o membro da equipe que mais abria a boca.
“Disseram: ‘Por que não deixamos o Yoko fazer isso, já que ele tem tanto a dizer?’ E foi assim que consegui o emprego”, conta. “Não foi que eu tivesse alguma grande ambição de me tornar diretor. É que os eventos simplesmente se desenrolaram assim. É como as empresas funcionam, não é?”
O resultado dessa escalação improvisada foi um dos jogos mais sombrios e peculiares da geração do PlayStation 2. Drakengard, publicado pela Square Enix, ganhou forma quase sem interferência da publisher. O próprio Yoko admite que “essa margem, a falta de interesse dos produtores, me deu o espaço criativo para construir aquele tipo de mundo”.
É um reconhecimento raro vindo de alguém que, na mesma respiração, questiona o próprio papel artístico: “Para mim, parecia que eu estava trabalhando em uma espécie de quebra-cabeça, encontrando soluções dentro de uma teia de restrições.”
Sobre a identidade do jogo, ele é ainda mais evasivo: “Com certeza, talvez parte da minha personalidade tenha acabado nos resultados. Mas fundamentalmente, começou com uma encomenda da Enix, depois analisei o estado do mercado de jogos na época e, a partir daí, só fiz os cálculos.” A humildade, ou a esquiva, é característica de quem raramente aparece sem uma máscara de rosto lunar e que já se autodescreveu publicamente como “insuportável” no trabalho.
O legado construído a partir dessa estreia acidental é considerável. Drakengard 3, por exemplo, é um banho de sangue medieval protagonizado pela heroína Zero, que mata por reflexo. A franquia Nier, que nasceu como um spin-off desse universo, culminou em Nier: Automata, um dosRPGs mais aclamados da última década. “Então, de qualquer forma, eu me tornei um diretor”, resume Yoko, com a casualidade de sempre.
Fonte: GamesRadar
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