
“Não dá pra usar elementos sagrados como cenário decorativo”, diz produtor dos visuais do “EQUILIBRIVM”, de Anitta (ENTREVISTA)
Anitta, praticante do Candomblé, criou toda uma atmosfera conceitual para os visuais do álbum “EQUILIBRIVM”. Felipe Britto, produtor deles, contou ao POPline que a cantora sabia bem o que estava fazendo: “A intenção era de exaltação, não de espetacularização” O post “Não dá pra usar elementos sagrados como cenário decorativo”, diz produtor dos visuais do “EQUILIBRIVM”, de Anitta (ENTREVISTA) apareceu primeiro em POPline.
Apesar de já ter exposto sua intimidade religiosa no videoclipe de “Aceita”, faixa do álbum “Funk Generation” (2024), é nos visuais de seu disco sucessor, o “EQUILIBRIVM”, que Anitta escancara a vivência dos terreiros e abre as portas do espaço onde cultua sua fé. Para trazer essa atmosfera que é criada a partir de vários elementos das religiões de matriz africana – incluindo o Candomblé, da qual é praticante -, a cantora recrutou o produtor Felipe Britto e todo o time da produtora Ginga Pictures.
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Vistos pelo público como um dos grandes triunfos dessa era de Anitta, os visuais foram divididos em quatro capítulos: I – Despacho; II – Fé e festa; III – Deus mãe; e IV – Renascimento. Em entrevista ao POPline, Felipe Britto contou que a cantora já chegou munida de referências para o que queria que ganhasse vida na parte visual de “EQUILIBRIVM” e que o respeito pela sensibilidade do assunto abordado, sobretudo por envolver a fé das pessoas em suas diversas formas, sempre foi uma prioridade.
“A gente tinha consciência desde o início de que estava pisando em um terreno que exige respeito, pesquisa e responsabilidade. Não dá pra usar elementos sagrados como cenário decorativo. Então houve um cuidado real em entender o significado do que estava sendo retratado, em trazer pessoas que têm pertencimento a essas tradições para o processo, e em deixar claro, em cada decisão visual, que a intenção era de exaltação, não de espetacularização. A Anitta foi muito firme nisso. Ela não queria algo superficial. Quando a própria artista coloca essa responsabilidade como prioridade, o processo inteiro sente o peso e trabalha à altura”, disse o produtor sobre conversa com Anitta que norteou todo o projeto visual do álbum.
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Ao responder a um fã recentemente se a era “EQUILIBRIVM” ganharia novos videoclipes, Anitta esclareceu que a melhor forma que ela encontrou de contar essa história foi através de visuais.
Vivendo a fase mais ‘zen’ de sua vida e mais consciente do que nunca de que qualidade de vida vai muito além de sucesso profissional, números nos charts e turnês em estádio, a cantora já tinha desenhado na mente o que queria trazer já que nada mais é do que o lema que ela vive no momento. Aos olhos de Felipe, esse rol de referências deixou tudo muito mais fluido.
“A Anitta chegou muito preparada. Ela não é uma artista que delega o criativo e espera o resultado, ela chega com referências visuais, com recortes de comportamento de câmera, com referências de moda, de rituais, de arte sacra. Isso, na prática, acelera muito o processo, porque a conversa parte de um lugar concreto”, destaca Felipe.
“O desafio, e também o prazer, foi pegar tudo aquilo que ela trazia e transformar em algo coeso, que tivesse identidade própria dentro do ‘EQUILIBRIVM’. A gente bebeu de fontes muito diversas: fotografia documental, iconografia das religiões de matriz africana, referências da moda local, cinema latino-americano contemporâneo. A Nídia Aranha, na direção criativa, teve um papel fundamental em organizar esse universo e dar uma linha que conectasse tudo. E o Manuel Nogueira, na direção, foi essencial para trazer essas ideias do campo conceitual para a execução, dando forma concreta a tudo que estava sendo construído”, contou o produtor, que também havia trabalhado com a artista no documentário da Netflix, “Larissa: O Outro Lado de Anitta” (2025) e em outros de seus projetos.
Desafios de uma locação ao ar livre e voz ativa dos feats do álbum na concepção dos visuais
Semanas antes de lançar o “EQUILIBRIVM” – que chegou aos tocadores no último dia 16 -, Anitta mobilizou uma equipe de filmagens robusta para gravar os visuais do álbum em Minas Gerais. “[Foi lá] no Ibiti Projeto, é onde eu gravei todos os visuais do meu álbum […]. A gente gravou todos lá em Ibitipoca, um lugar maravilhoso, que tem uma filosofia de vida que tem tudo a ver com meu álbum, de sustentabilidade, de uma comunidade com amor ao próximo, um lugar que respeita a natureza”, detalhou ela durante participação no “Domingão com Huck”, da TV Globo, no último domingo de Páscoa (5/04). Felipe diz que a locação escolhida fez surgir desafios do ponto de vista da produção audiovisual.
“Não foi um clipe isolado, foi uma produção 360° em um parque estadual no interior de Minas, com múltiplos conteúdos sendo gravados simultaneamente, equipes rodando em paralelo, uma logística enorme de locação, luz natural, elenco, coreografia. Quando você está produzindo conteúdo em escala num ambiente assim, sem a estrutura de um estúdio, cada imprevisto tem um peso diferente”, refletiu o produtor.
O desafio valeu mais do que a pena, e o produtor deixa claro em sua fala: “O Projeto Ibiti, que carrega em sua essência os valores de equilíbrio e regeneração, tem muito em comum com o próprio discurso do álbum. Então havia uma coerência muito bonita entre o lugar onde a gente estava e o que a Anitta queria dizer com esse projeto. O desafio e a recompensa vinham juntos o tempo todo”.
A essa sequência de dias em Minas Gerais em que mergulharam de cabeça na atmosfera visual do álbum, Anitta levou junto a ela alguns dos artistas que surgem como feats na tracklist. É o caso dos rappers Rincon Sapiência e KING Saints, cujas vozes aparecem na canção “Nanã”. Sócio-fundador da Ginga Pictures, Felipe conta que os artistas convidados também tinham voz ativa na direção dos visuais criados.
“Eles chegavam com opinião, e isso era muito bem-vindo. Nossa postura sempre foi de respeitar a vontade de cada um e garantir que todos se sentissem totalmente confortáveis com o que estava sendo criado. Quando alguém tem algo a dizer sobre como quer aparecer, sobre como sente que determinada cena funciona melhor, isso enriquece o resultado. O que ficou claro é que havia um respeito mútuo muito grande pelo universo que a Anitta construiu para esse álbum. As opiniões vinham dentro desse contexto, nunca como ruptura. E essas trocas que aconteceram nos bastidores, nos momentos entre uma tomada e outra, ficam com a gente de um jeito que é difícil de traduzir em palavras. Fazem parte do que torna esse tipo de projeto especial”, relembra.
Um ‘grito’ de silêncio no videoclipe de “Desgraça”
Anitta esclareceu recentemente que, na realidade, “Desgraça” é a única faixa do álbum que ganhou um videoclipe até aqui. Ela se refere às outras produções como visuais. Os fãs comentam, porém, que são visuais até mais elaborados do que muito videoclipe por aí…
O clipe em questão ilustra uma das faixas mais elogiadas do “EQUILIBRIVM”. Ainda que não tenha como saber com exatidão qual música do disco vai vingar ou não, Anitta provou mais uma vez que sabe mirar em acertos.
O produtor dos visuais comenta uma particularidade do videoclipe, que é incorporar breaks que externam o eco do silêncio. “Essa ideia surgiu no processo criativo junto com a direção. A gente queria que o silêncio também dissesse alguma coisa, que o espectador fosse forçado a olhar, a sentir o peso da cena sem a música preenchendo tudo. Em audiovisual, o silêncio é um recurso narrativo muito poderoso e subutilizado”, pontua ele.
“Nesses momentos de break, a imagem assume o protagonismo de uma forma que a música, por mais forte que seja, não permite. Mas precisa ter sentido dentro do vídeo, ser uma escolha que sirva à narrativa, não um artifício. Esse tipo de decisão corajosa é o que separa um clipe de um conteúdo”, completa Felipe.
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