
Chris Avellone revela que levou bronca da Bethesda na época por prometer 30 FPS estáveis para Fallout: New Vegas
Fallout: New Vegas chegou em 2010 carregando um problema que os jogadores sentiriam na pele desde o primeiro dia: desempenho instável e taxas de quadros irregulares que mancharam a recepção de um dos RPGs mais queridos da história. Agora, o designer sênior original do jogo, Chris Avellone, revelou que, antes mesmo do lançamento, havia uma tensão bastante reveladora nos bastidores entre a desenvolvedora Obsidian Entertainment e a publicadora Bethesda, e o epicentro da discórdia era justamente a engine.
Em entrevista ao canal TKs-Mantis no YouTube, Avellone contou que, durante uma entrevista à imprensa sobre a Gamebryo engine, foi questionado se New Vegas rodaria a 30 frames por segundo. Para ele, a resposta era óbvia. “Na minha cabeça, é inadmissível que um jogo não rode a 30 frames por segundo, então eu disse ‘sim, vai rodar’.”, relata. O problema é que essa declaração chegou aos ouvidos errados.
“Para minha surpresa, estou em uma reunião da Bethesda, e um diretor de tecnologia começa a me dar uma bronca por ter dito isso”, disse Avellone. O designer descreveu ter absorvido a repreensão em silêncio, mas com um pensamento constante martelando em sua cabeça: “Por que você tem a droga de uma engine que não consegue rodar 30 frames por segundo, e ainda chama isso de seu grande feito sendo o diretor de tecnologia? Foi tão ofensivo pra mim. Fiquei lá, sorrindo e engolindo, mas aquilo em si foi uma falha fundamental da tecnologia.”
A engine e o legado problemático da Gamebryo
A Gamebryo era, já naquela época, uma engine com reputação difícil. Conhecida por bugs sistêmicos e limitações técnicas que frustravam tanto jogadores quanto desenvolvedores, ela ficou marcada na memória da comunidade gamer como sinônimo de instabilidade. Até hoje, quem joga Fallout: New Vegas no PC recebe a recomendação quase unânime de instalar mods de estabilidade antes de sequer criar um personagem.
Avellone foi além e revelou que essa percepção negativa não vinha só de fora. “Eu conheço programadores que trabalharam na Bethesda. Eles dizem que a engine é uma bagunça de todos os jeitos possíveis por baixo do capô“, afirmou. “Mas essa história dos 30 frames por segundo, isso é culpa da Bethesda. E eu fico pensando: ‘Nossa, eu não deveria estar sendo repreendido por isso. Vocês é que deveriam ser repreendidos’.”
A Bethesda, ao menos, parece ter tirado uma lição da experiência. A empresa abandonou a Gamebryo e adotou sua própria engine proprietária, a Creation Engine, a partir de The Elder Scrolls: Skyrim, uma decisão que evitou o que poderia ter sido um desastre técnico ainda maior, dado o escopo e a complexidade do jogo.
Fonte: GamesRadar






