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12 animes fantásticos e esquecidos dos anos 90 que você precisa ver

Os anos 90 foram um período curioso para o universo dos animes. Ao mesmo tempo em que surgiam fenômenos globais, uma quantidade enorme de obras menores, muitas delas ousadas, experimentais ou simplesmente fora do padrão, acabava ficando à margem.

Algumas não chegaram com força ao Ocidente, outras foram ofuscadas por gigantes da época. O resultado é um catálogo rico que muita gente nunca explorou de verdade. Para quem ficou curioso, aqui vai uma seleção de animes fantásticos dos anos 90 que ficaram esquecidos com o tempo, e que ainda valem a pena hoje.

Pet Shop of Horrors

No coração de Chinatown, existe uma loja de animais misteriosa onde você pode comprar qualquer criatura imaginável, desde que assine um contrato com regras estritas. O dono, conhecido apenas como Conde D, é uma figura enigmática que vende mais do que apenas bichos, ele vende sonhos e desejos perigosos. A estrutura da obra é antológica, com cada episódio lidando com um cliente diferente que busca preencher um vazio emocional através de uma criatura exótica.

O detetive Leon Orcot tenta investigar os incidentes bizarros ligados à loja, servindo como o contraponto cético ao mundo místico e ritualístico de Conde D. O visual de Pet Shop of Horrors é sofisticado, com um traço elegante que realça a beleza grotesca das criaturas e o figurino detalhado do Conde. É uma obra curta que deixa um gosto amargo e reflexivo, tratando de temas como luto, vaidade e a crueldade inerente à posse.

Gunsmith Cats

Ambientado em Chicago, a história segue Rally Vincent e May Hopkins, duas caçadoras de recompensas que administram uma loja de armas. As cenas de ação são coreografadas com uma precisão cirúrgica, focando na inteligência tática das protagonistas em vez de apenas explosões aleatórias. Rally é uma atiradora de elite com um conhecimento enciclopédico sobre balística, enquanto May é uma especialista em explosivos com uma personalidade explosiva para combinar.

A dinâmica entre as duas funciona perfeitamente, criando uma atmosfera de filme policial que captura a essência das produções de ação americanas dos anos 80 e 90. Com apenas três episódios, este OVA condensa tudo o que havia de melhor na produção técnica da época. Cada frame serve para construir a tensão ou exibir a fluidez da animação tradicional. É uma obra essencial para quem sente falta de histórias de crime urbano.

Golden Boy

Esta obra é uma aula de como criar uma comédia de humor físico e situacional de alta qualidade sem perder a substância. Kintaro é um andarilho que viaja pelo Japão em sua bicicleta, aceitando empregos temporários e prometendo estudar cada experiência que a vida coloca em seu caminho.

A animação é um espetáculo à parte, entregando algumas das expressões faciais mais exageradas e bem-feitas da história do meio. Cada episódio coloca Kintaro em uma nova profissão, onde ele é inicialmente subestimado por sua aparência de bobo. O roteiro é mestre em subverter as expectativas, mostrando que por trás das situações constrangedoras existe um gênio com um coração de ouro.

Sorcerer Hunters

Nesta fantasia medieval urbana, acompanhamos um grupo de mercenários cuja missão é caçar feiticeiros que abusam de seus poderes para oprimir a população comum. O mundo é dividido entre os Sorcerers, a elite mágica, e os Personas, as pessoas normais que vivem sob o medo da tirania. O que realmente destaca o grupo protagonista é a sua dinâmica disfuncional e o figurino que mistura elementos de fantasia com uma estética de couro e látex bastante ousada para a TV.

Carrot Glace, o líder improvável, transforma-se em um monstro gigante toda vez que entra em contato com magia, adicionando um elemento de cartas na manga às batalhas. O anime oscila entre o humor pastelão e momentos de seriedade que exploram o custo da vingança. Embora tenha sido um sucesso nos tempos das locadoras, ele é pouco citado hoje em dia por sua natureza episódica e tom irreverente.

Martian Successor Nadesico

A princípio, esta obra parece apenas mais uma aventura espacial com naves e mechas, mas logo se revela uma das desconstruções mais inteligentes do gênero. O anime brinca com os clichês das séries de robôs dos anos 70 e 80, enquanto entrega uma história de guerra espacial com motivações políticas complexas. A tripulação da nave Nadesico é composta por civis e especialistas que fogem totalmente do padrão militar, o que gera situações caóticas e diálogos rápidos.

O protagonista, Akito, é um cozinheiro que se vê forçado a pilotar um robô, mas sua verdadeira paixão é um anime antigo dentro do próprio anime chamado Gekigangar III. Visualmente, a obra é um deleite para quem gosta do traço clássico de meados dos anos 90, com cores vibrantes e naves mecanicamente detalhadas.

Blue Gender

Diferente das histórias de robôs gigantes heroicos, este anime apresenta um cenário de sobrevivência brutal onde a humanidade foi quase extinta por insetos gigantes chamados Blue. O anime carrega um tom pessimista e visceral, focando no trauma de acordar em um mundo que não te pertence mais. Yuji Kaido, um jovem que foi congelado criogenicamente, desperta no meio dessa guerra desesperada e precisa aprender a lutar para não ser devorado.

Ele se junta a Marlene, uma soldada que vê as pessoas apenas como estatísticas de combate. É um título que muitas vezes é ignorado por ser sombrio demais para o público médio, mas que possui uma das progressões de enredo mais interessantes da época. 

Key the Metal Idol

Fugindo completamente do padrão de ídolos musicais alegres, a obra explora temas como desumanização, tecnologia e solidão urbana. Key precisa fazer 30 mil amigos para que seu corpo robótico possa se tornar humano, uma meta que a leva para a indústria da música em Tóquio. O que se segue é uma descida sombria aos bastidores do entretenimento e aos segredos militares que envolvem sua própria criação. A narrativa é densa, por vezes confusa de propósito, exigindo atenção total para conectar as peças desse quebra-cabeça existencial.

Infelizmente, por ser tão fora da curva e ter um ritmo mais lento, ele raramente é lembrado. É uma obra que antecipou discussões sobre a nossa conexão com o digital e a artificialidade da fama muito antes das redes sociais existirem. Assistir a Key hoje é uma experiência desconfortável, mas profundamente recompensadora para quem busca algo que fuja do entretenimento fácil.

Blue Seed

Misturando folclore japonês com bio-horror, esta produção entrega uma visão moderna da lenda de Susanoo e da Kushinada. O clima é tipicamente noventista, sendo uma mistura de conspirações governamentais, monstros de aparência orgânica e uma trilha sonora de rock que marca o ritmo da ação.

Momiji é uma garota comum que descobre ser a descendente de uma linhagem destinada a se sacrificar para conter os Aragami, criaturas plantas que querem retomar a Terra. Ela acaba protegida por Kusanagi, um anti-herói que tem sementes implantadas no próprio corpo, dando-lhe poderes sobre-humanos

Princess Nine

Enquanto a maioria dos animes esportivos foca em ligas masculinas, esta obra decide olhar para o esforço de um time feminino de beisebol tentando ser levado a sério. O foco não é apenas o jogo em si, mas as barreiras sociais e o drama pessoal de cada jogadora. A protagonista, Ryo Hayakawa, é filha de um lendário arremessador e carrega o peso do legado dele enquanto tenta construir o seu próprio caminho.

O anime constrói muito bem a formação da equipe, mostrando que o entrosamento em campo depende de resolver os conflitos fora dele. É uma pena que o título tenha ficado esquecido, pois ele trata temas como igualdade e determinação com uma sobriedade admirável. Não há fetiche ou humor apelativo; o respeito pelo esporte e pelas personagens é o que guia a história.

El-Hazard: The Magnificent World

Antes do gênero isekai se tornar uma fórmula repetitiva, existiam obras que tratavam o transporte para outro mundo como uma fantasia vibrante e cheia de personalidade. Tudo começa quando um grupo de estudantes e um professor são levados para um reino fantástico.

O formato de OVA permitiu que a qualidade técnica fosse superior à média da TV na época. É uma jornada curta, direta e visualmente estonteante, que foca na descoberta e na maravilha de explorar o desconhecido. Para quem quer um respiro de mundos de fantasia genéricos, El-Hazard oferece uma estética única que parece não ter envelhecido um dia sequer.

Nadia: The Secret of Blue Water

O que começa como uma jornada leve e juvenil aos poucos se transforma em algo muito mais complexo, lidando com heranças tecnológicas de civilizações perdidas e o peso da guerra. Nadia é uma jovem acrobata de circo que foge de caçadores de joias interessados em seu pingente misterioso, o Blue Water.

Ela se une a Jean, um inventor prodígio, e juntos acabam a bordo do Nautilus, comandado pelo enigmático Capitão Nemo. É curioso pensar que, apesar da pedigree da equipe, o anime não seja tão popular hoje em dia. Ele possui sequências de ação submarina que ainda superam muitas produções modernas em termos de tensão e coreografia.

Silent Mobius

Imagine uma Tóquio futurista mergulhada em chuva ácida, luzes de neon e uma ameaça constante de criaturas vindas de outra dimensão. Este anime é a personificação do cyberpunk místico, onde a tecnologia de ponta não é suficiente para conter invasões sobrenaturais. A trama foca no AMP, uma unidade policial composta exclusivamente por mulheres com habilidades especiais, encarregadas de combater os “Lucifer Hawks”.

O grupo é diverso e foge dos estereótipos rasos de garotas mágicas, apresentando personagens com traumas pesados e motivações bem fundamentadas. Acompanhamos Katsumi Liqueur, uma jovem que descobre que seu destino está entrelaçado com as forças que ela jurou destruir. Mesmo sendo uma influência direta para o que viria depois no gênero, o anime acabou perdendo espaço conforme o cyberpunk foi se tornando mais limpo nos anos 2000.

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