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Saída dos Emirados abala Opep+ enquanto Abu Dhabi amplia produção e desafia cartel

A Opep+ tenta exibir unidade após a saída dos Emirados Árabes Unidos, mas o cartel enfrenta sua maior fragilidade em décadas. Enquanto Arábia Saudita, Rússia e aliados anunciam aumento simbólico de produção, Abu Dhabi rompe com as cotas, acelera investimentos e prepara capacidade para cinco milhões de barris por dia. A disputa interna ocorre em meio ao fechamento do estreito de Ormuz e ameaça reconfigurar o equilíbrio do mercado global.

A Arábia Saudita, a Rússia e outros cinco países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+) decidiram aumentar seus limites de produção de petróleo neste domingo (3).




Os países da Opep+ alertam para as consequências dos ataques contra infraestruturas energéticas, cuja recuperação é “cara” e “demorada”.

Foto: © Dado Ruvic – Reuters / RFI

Foi a primeira reunião do cartel desde o abalo provocado pela saída dos Emirados Árabes Unidos. Apesar do discurso público de unidade, a organização aparece fragilizada justamente no momento em que Abu Dhabi abandona os limites de produção e acelera investimentos para ampliar sua capacidade petrolífera.

A Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi, a Adnoc, anunciou neste domingo que investirá US$ 55 bilhões em novos projetos nos próximos dois anos para aumentar a produção do país. A declaração veio apenas dois dias depois da saída dos Emirados Árabes Unidos tanto da Opep quanto do grupo ampliado Opep+.

“Adnoc confirmou hoje que está acelerando o crescimento e a execução de sua estratégia, com 200 bilhões de dirhams [cerca de US$ 55 bilhões] em novos contratos de projetos para o período 2026-2028”, informou a empresa em comunicado.

Reunidos por videoconferência, os países do cartel confirmaram ao mesmo tempo um novo aumento de produção de “188 mil barris por dia” para o mês de junho, segundo o comunicado publicado no site da Opep. A decisão, porém, é por ora apenas teórica, já que o estreito de Ormuz permanece fechado e os países não conseguem exportar seu petróleo.

A declaração da aliança não menciona os Emirados Árabes Unidos — o que, por si só, reflete tensões reais com Abu Dhabi. A saída do país, membro há 60 anos, representa um terremoto na geopolítica energética da região.

Abu Dhabi rompe com cotas e vira concorrente direto

Abu Dhabi, que agora pretende produzir conforme seus próprios interesses, sem seguir a política de cotas, torna‑se um concorrente direto e poderoso para o cartel.

O país investiu pesadamente em infraestrutura nos últimos anos, e a Adnoc prevê alcançar capacidade de produção de cinco milhões de barris por dia até 2027 — muito acima de sua última cota, fixada em 3,447 milhões de barris por dia.

Uma vez que o mercado volte a alguma normalidade após a reabertura do estreito de Ormuz, os Emirados Árabes Unidos poderão neutralizar parte das medidas adotadas por Riad e seus aliados.

Para a Opep+, o risco é que outros países sigam o mesmo caminho: Cazaquistão e Iraque, por exemplo, já foram frequentemente criticados por ultrapassar seus limites de produção.

Fonte: Clique aqui