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OMS suspeita de transmissão entre humanos em surto de hantavírus em cruzeiro; infecção não tem tratamento

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou nesta terça-feira (5) que suspeita de transmissão inter-humana no foco de hantavírus identificado a bordo do navio de cruzeiro holandês Hondius, mantido ao largo da costa de Cabo Verde, no Atlântico. Ao todo, dois casos da doença foram confirmados e outros cinco seguem sob investigação, entre cerca de 150 pessoas que estavam a bordo da embarcação.

5 mai
2026
– 07h06

(atualizado às 07h21)

Entre os sete casos, três passageiros morreram — um casal de holandeses e um alemão. Uma pessoa apresenta sintomas respiratórios agudos graves, enquanto três manifestaram sintomas leves, segundo comunicado divulgado pela OMS na noite de segunda‑feira. 




Vista aérea do navio de cruzeiro MV Hondius ancorado ao largo do porto da Praia, capital de Cabo Verde, em 3 de maio de 2026.

Foto: © AFP / RFI

Não existem medicamentos específicos para essa doença. O tratamento se baseia em cuidados de suporte, incluindo o uso de respiradores para os pacientes mais gravemente afetados.

Segundo a organização, uma terceira pessoa a bordo passou a apresentar sintomas, elevando para três o número de passageiros que relataram febre alta e/ou sintomas gastrointestinais e permanecem no navio. As demais pessoas afetadas já haviam sido evacuadas ou apresentam quadros mais leves.

Atualmente, 149 passageiros e membros da tripulação continuam impedidos de desembarcar. Por precaução, as autoridades de Cabo Verde solicitaram que a embarcação, que partiu da Argentina em março, permanecesse retida em águas internacionais. A bordo, os ocupantes estão submetidos a protocolos sanitários rigorosos, incluindo medidas de isolamento. A Espanha aceitou nesta terça-feira (5) a atracação do navio nas Ilhas Canárias, segundo a OMS.

“Foi solicitado aos passageiros que permaneçam em suas cabines e limitem os riscos, enquanto medidas de desinfecção, entre outras, estão sendo adotadas”, informou a OMS em comunicado divulgado na segunda‑feira.

Busca por passageiros de voo

A OMS anunciou também que iniciou esforços para localizar os passageiros de um voo comercial que transportou uma turista holandesa infectada com hantavírus. A mulher havia sido evacuada do navio para a ilha de Santa Helena e, de lá, seguiu para Joanesburgo, na África do Sul, onde morreu em um hospital.

Segundo a organização, trata‑se de uma neerlandesa de 69 anos, cujo marido, de 70 anos, havia morrido anteriormente a bordo do navio. Ela foi desembarcada em Santa Helena em 24 de abril, apresentando “sintomas gastrointestinais”, e embarcou no dia seguinte para a África do Sul. A morte ocorreu em 26 de abril, e a infecção por hantavírus foi confirmada oficialmente na segunda‑feira.

“Buscas foram iniciadas para localizar os passageiros desse voo”, informou a OMS, sem divulgar quantas pessoas estavam a bordo da aeronave.

Cronologia das mortes e casos graves

O primeiro passageiro afetado, um cidadão holandês, morreu em 11 de abril, quando o Hondius navegava pelo Atlântico Sul. Seu corpo permaneceu a bordo até 24 de abril, quando foi desembarcado na ilha de Santa Helena, com a esposa acompanhando o traslado para repatriação, segundo a operadora Oceanwide Expeditions.

Três dias depois, a empresa responsável pelo cruzeiro, que percorre algumas das regiões mais remotas do planeta, incluindo arquipélagos da Antártida, foi informada de que a esposa do passageiro havia adoecido e morreu posteriormente. As autoridades dos Países Baixos confirmaram que ela também testou positivo para o hantavírus.

Em 27 de abril, outro passageiro, um britânico, ficou gravemente doente e foi evacuado para a África do Sul, onde permanece internado em uma unidade de terapia intensiva, em estado crítico, porém estável, segundo a operadora. As autoridades sul‑africanas confirmaram que ele também está infectado.

Outro passageiro, um alemão, morreu em 2 de maio, mas até o momento a causa da morte ainda não foi determinada.

Contexto sanitário

O hantavírus é normalmente transmitido por contato com urina, saliva ou fezes de roedores infectados. A OMS ressalta que o contágio entre humanos é considerado raro, mas a suspeita levantada neste caso elevou o nível de atenção internacional sobre o surto no navio.

Com AFP e Le Figaro

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