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Natura acelera desinvestimento na Avon, e ações da empresa disparam

Companhia anunciou venda da holding dos negócios da Avon Internacional nesta quinta-feira; papel da Natura chegou ter maior ganho desde 2022

A Natura deu mais um passo no processo para se tornar uma empresa mais “leve”, o que fez a ação da companhia disparar nesta quinta-feira, 18. O papel chegou a subir 16%, o maior ganho em um só dia desde 9 fevereiro de 2022 (+16,21%), na esteira do anúncio da venda da holding dos negócios da Avon Internacional, a Natura &Co UK Holdings, à Regent.

Na máxima de R$ 10,30 (+16,12%), o papel tocou o maior valor de tela em dois meses, marcando uma trajetória de recuperação neste ano. Em um mês, o ganho acumulado é de 15%, ainda que, em 2025, a queda já chega a 20%, uma das poucas no segmento de consumo não cíclico.

O anúncio desta quinta-feira engrossa a lista de vendas feitas pela Natura. Na segunda-feira, 15, a companhia vendeu a operação da Avon na América Central e na República Dominicana, braço conhecido como Avon CARD, para o grupo PDC.



Na segunda, Natura já havia vendido operação da Avon na América Central e na República Dominicana

Foto: Marcos Suguio/Divulgação / Estadão

Assim como no negócio da Avon PDC, o valor recebido imediatamente pela Natura foi simbólico — US$ 1 no caso da operação da América Central e £ 1 no caso do Reino Unido. Ambos, contudo, preveem recebimentos adicionais. O primeiro, no valor de US$ 22 milhões, será pago por meio de um recebível da Avon Guatemala à subsidiária integral da Natura no México. O segundo prevê £ 60 milhões em earn-outs (pagamentos contingentes), dependendo dos resultados futuros.

Em agosto, na teleconferência de resultados do segundo trimestre, o presidente-executivo da Natura, João Paulo Ferreira, havia sinalizado que o processo de desinvestimento na Avon Internacional estava avançado.

“Acreditamos que este anúncio, junto do novo formato de divulgação da empresa a partir dos resultados do 3º trimestre, deve ajudar os investidores a retomarem o foco na ação, à medida que a história se torna mais simples e clara”, escreveram Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, da XP. Eles mantiveram a recomendação de compra do papel.

Com essa transação, explicaram os analistas da XP, resta apenas a Avon Rússia para ser vendida antes que a empresa conclua totalmente o longo processo de desinvestimento da marca americana comprada em 2019 e que passou de promessa a dor de cabeça para o grupo brasileiro. A corretora estima que a operação russa representa menos de 10% das vendas da Avon Internacional.

A XP destaca que a operação, considerada a mais importante no desinvestimento na Avon Internacional, tem impacto negativo praticamente irrelevante sobre o caixa. Os créditos decorrentes de empréstimos da Natura à Avon Internacional, estimados pela corretora em R$ 1,6 bilhão, são basicamente os recursos já consumidos. “Assim, o efeito deve ser pontual e não em caixa, como ocorreu quando o Chapter 11 foi concluído em dezembro de 2024”, afirma.

Pondera-se, no entanto, que a Natura forneceu uma linha de crédito de US$ 25 milhões, que a XP entende que pode ter efeito sobre o caixa, embora com recuperação esperada em cinco anos.

O analista de investimentos da Daycoval Corretora, Gabriel Mollo, acredita que o ganho real da operação está ligado à redução de riscos e dos custos da complexidade administrativa.

“Conforme foca na América Latina, onde a integração tem mostrado resultados mais consistentes, a Natura começa a ganhar uma estrutura financeira mais enxuta e margens melhores”, explica Mollo.

Mollo pondera que a companhia ficará mais dependente do mercado latino-americano, mas isso não deve ofuscar a simplificação e o esperado aumento das margens, que devem crescer à medida que a Selic recuar.

“A Natura tem bastante potencial para recuperar valor, já que ela sofreu bastante junto de outras empresas do varejo conforme esse movimento de alta taxa de juros que começou lá em 2021 e está terminando agora”, afirma Mollo.

Fonte: Clique aqui