
Justiça condena Estado de SP a pagar R$ 200 mil aos pais de jovem morto pela PM em mercado
Gabriel Soares levou 11 tiros pelas costas depois de ser flagrado roubando um sabão na zona sul da capital paulista em novembro de 2024; PM foi condenado por homicídio
24 abr
2026
– 19h25
(atualizado às 19h35)
A Justiça de São Paulo condenou o governo do Estado a pagar uma indenização de R$ 200 mil para os pais do jovem Gabriel Renan da Silva Soares, morto aos 26 anos pelo policial militar Vinicius de Lima Britto em novembro de 2024. O rapaz foi assassinado com 11 tiros pelas costas após furtar quatro pacotes de sabão do mercado Oxxo no Jardim Prudência, na zona sul da capital paulista.
A decisão do juiz Fabrício Figliuolo Horta Fernandes, da 13ª Vara da Fazenda Pública, é da quinta-feira, 23. Cabe recurso à decisão. Procurado pelo Estadão, o governo de São Paulo informou que não foi intimado da decisão até esta sexta-feira, 24.
Na noite do crime, que foi registrado por câmeras de segurança, o PM estava fora do horário de serviço, mas portava uma arma da corporação. Por conta disso, e pelo fato de ter exercido o poder de polícia, o juiz entendeu que caberia indenização à família.
Os advogados da família tinham pedido indenização de R$ 300 mil e também uma pensão alimentar mensal. O juiz, no entanto, reduziu o valor e também negou a concessão da pensão por avaliar que os pais não dependiam financeiramente do filho.
“Este montante (R$ 200 mil) reflete a necessária censura à atuação estatal, que falhou em seu dever de preservar a vida, entregando arma letal a agente que demonstrou total despreparo e brutalidade no exercício de sua função ostensiva. A indenização visa, portanto, mitigar a dor da perda e reforçar o caráter protetivo dos direitos fundamentais que o Estado tem o dever precípuo de resguardar”, disse o magistrado.
PM foi condenado pelo crime
O policial militar Vinícius de Lima Britto, que chegou a ser preso por atirar e matar Gabriel Soares, foi condenado a dois anos, um mês e 27 dias de detenção em regime semiaberto por homicídio culposo – ou seja, quando não há intenção de matar -, em outubro de 2025.
Ele foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio doloso pela morte de Soares. O caso foi levado a júri popular e a Justiça decidiu não apenas pela desclassificação do crime de homicídio doloso para culposo, como também pela soltura de Britto.
Britto também foi condenado à perda do cargo na Polícia Militar e teve uma multa fixada em R$ 100 mil.
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