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Grendene lucra R$ 102,1 milhões no 1T26, mas ação cai com pressão no consumo e custos de matéria-prima

Grendene (GRND3) registra queda no lucro e na receita no 1T26, enquanto mercado monitora impacto do consumo mais seletivo, avanço das importações asiáticas e alta do PVC

A Grendene (BOV:GRND3), dona de marcas como Melissa, Ipanema e Rider, divulgou na noite de quinta-feira (07/05) seus resultados financeiros do primeiro trimestre de 2026, mostrando um cenário de resiliência operacional em meio a desafios relevantes para o varejo calçadista. A companhia reportou lucro líquido de R$ 102,1 milhões no período, queda de 9,9% frente ao mesmo trimestre de 2025.

A receita líquida somou R$ 533,8 milhões, retração anual de 5,3%, enquanto a receita bruta atingiu R$ 682,9 milhões, com recuo de 3,2% na comparação anual. Apesar disso, o volume de pares vendidos avançou 1,6%, alcançando 25,7 milhões de unidades, sinalizando manutenção da demanda em linhas mais acessíveis e de maior giro.

O resultado da Grendene reflete um ambiente macroeconômico ainda desafiador para o consumo, tanto no Brasil quanto no mercado internacional. Segundo a companhia, houve uma mudança importante no perfil de consumo, com consumidores priorizando produtos mais baratos e versáteis, favorecendo marcas como Ipanema e linhas masculinas. Em contrapartida, produtos de maior valor agregado, como Melissa, sofreram com o fluxo mais fraco no varejo físico.

A empresa também destacou que a composição do mix de vendas pressionou a receita por par vendido. O desempenho mais forte de linhas de ticket médio inferior acabou reduzindo a rentabilidade média da operação no trimestre.

Segundo Alceu Albuquerque, CFO da Grendene, a companhia segue focada em fortalecer marcas estratégicas e ampliar competitividade ao longo de 2026. Entre as prioridades estão a expansão das linhas em EVA, além do fortalecimento das marcas Ipanema, Rider e Melissa.

O executivo também chamou atenção para o aumento da concorrência no mercado doméstico, impulsionado pelo avanço das importações de calçados asiáticos. Nesse contexto, a companhia afirma ter atuado com disciplina na gestão de canais, mix de produtos, despesas e capital de giro, buscando preservar eficiência operacional e geração de caixa.

Outro ponto relevante monitorado pelo mercado envolve os impactos indiretos das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Segundo a Grendene, os conflitos envolvendo Irã e Estados Unidos vêm pressionando custos logísticos e preços de matérias-primas derivadas do petróleo, especialmente a resina de PVC, principal insumo utilizado pela companhia.

De acordo com a administração, alguns fornecedores já anunciaram reajustes próximos de 50% nos preços do PVC, refletindo a volatilidade recente do petróleo no mercado internacional. Apesar disso, a empresa afirma que ainda é cedo para mensurar integralmente os impactos financeiros nos próximos trimestres.

No pregão desta sexta-feira (08/05), as ações da Grendene (BOV:GRND3) operavam em queda de 2,76% às 11h03, cotadas a R$ 4,23. O papel abriu o dia a R$ 4,34, atingiu máxima de R$ 4,35 e mínima de R$ 4,19, indicando reação negativa do mercado aos números do trimestre e às preocupações com pressão de custos e consumo enfraquecido. O movimento acompanha a cautela dos investidores com empresas ligadas ao varejo e consumo discricionário na bolsa de valores brasileira.

A Grendene é uma das maiores fabricantes de calçados do Brasil e atua fortemente no segmento de sandálias, calçados casuais e produtos em PVC e EVA. A companhia possui marcas amplamente conhecidas no mercado nacional e internacional, como Melissa, Rider, Ipanema, Cartago e Zaxy, competindo com empresas como Alpargatas (BOV:ALPA4), Vulcabras (BOV:VULC3) e Azzas 2154 (BOV:AZZA3). Além da forte presença no mercado interno, a empresa mantém exportações relevantes para diversos países.

Os investidores seguem atentos aos próximos passos da companhia diante da pressão nos custos de matérias-primas, da concorrência internacional e da capacidade da Grendene de preservar margens e geração de caixa em um ambiente mais desafiador para o consumo.

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