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Dólar recua, com abertura do Estreito de Ormuz e queda do petróleo após alívio geopolítico

O dólar à vista (FX:USDBRL) encerrou a sexta-feira (17/04) em leve queda de 0,20%, cotado a R$ 4,9836, renovando o menor nível de fechamento desde o fim de março de 2024. Ao longo do dia, a moeda chegou a recuar com mais força, tocando R$ 4,950 na mínima, mas perdeu intensidade até o fechamento. Ainda assim, o movimento consolidou uma semana negativa para a divisa, com baixa acumulada de 0,53%, enquanto no ano o recuo já chega a expressivos 9,21%. O cenário reflete um ambiente mais favorável ao risco, com investidores reduzindo posições defensivas e aproveitando a melhora no noticiário internacional.

No Brasil, o comportamento do câmbio foi diretamente influenciado pela melhora no apetite ao risco global e pela queda das taxas de juros, tanto no exterior quanto na curva doméstica. A sinalização de avanço nas negociações geopolíticas reduziu a demanda por proteção, enquanto, internamente, o recuo dos juros futuros acompanhou o alívio externo. Mesmo assim, o mercado segue cauteloso com a política monetária: há uma precificação mais forte de um corte de apenas 25 pontos-base na Selic, atualmente em 14,75% ao ano, no fim do mês. No campo fiscal, o anúncio iminente de um plano de renegociação de dívidas, sem impacto no gasto primário, também entrou no radar dos investidores, reforçando a percepção de responsabilidade nas contas públicas.

No cenário internacional, o dólar perdeu força diante de outras moedas após sinais concretos de alívio nas tensões no Oriente Médio. A confirmação de que o Estreito de Ormuz está totalmente aberto ao tráfego comercial durante o cessar-fogo trouxe alívio imediato aos mercados, reduzindo o prêmio de risco global. Esse movimento foi reforçado pela queda expressiva do petróleo Brent (CCOM:OILBRENT), que recuou para perto dos US$ 90, diminuindo preocupações inflacionárias. Nos Estados Unidos, esse ambiente se traduziu em queda dos rendimentos dos Treasuries, pressionando o dólar para baixo globalmente e favorecendo moedas emergentes como o real.

No mercado futuro da bolsa de valores brasileira, o contrato de dólar para maio, o mais líquido (BMF:DOLFUT | BMF:WDOFUT), acompanhou o movimento do mercado à vista, mas com leve descolamento. Às 17h09, o contrato cedia 0,22%, cotado a R$ 4,9960, mantendo um pequeno prêmio em relação ao dólar à vista. Essa diferença reflete ajustes de expectativa, especialmente em relação aos juros e ao fluxo externo, além do custo de carregamento típico dos contratos futuros. A leve inclinação entre os vencimentos indica que o mercado ainda projeta estabilidade cambial no curto prazo, sem grandes choques à frente, mas mantendo cautela diante das incertezas globais ainda presentes.

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