
Copom mantém ritmo, corta taxa de juros em 0,25 ponto e baixa Selic a 14,50% ao ano, como esperado
Foi o segundo corte seguido da taxa; decisão do colegiado foi unânime
29 abr
2026
– 18h46
(atualizado às 18h55)
BRASÍLIA – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira, 29, reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual – de 14,75% para 14,50% ao ano, como esperava o mercado financeiro. A decisão do colegiado foi unânime.
Foi o segundo corte seguido da taxa. Na reunião anterior, de março, o Copom reduziu a Selic de 15% para 14,75% ao ano, a primeira diminuição dos juros em quase dois anos. Apesar do corte, na ocasião, o colegiado alertou para o aumento das incertezas no cenário, em função dos conflitos no Oriente Médio.
Uma semana depois, em 26 de março, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse em entrevista coletiva, que o “conservadorismo” da autoridade monetária durante 2025 compraria tempo para analisar o cenário e entender os efeitos da alta do petróleo, em razão do conflito, sobre os preços domésticos. “Estamos entendendo e vamos aprender mais daqui até a próxima reunião do Copom”, afirmou.
No fim da tarde desta quarta-feira, a curva de juros indicava cerca de 100% de chance de um corte de 0,25 ponto porcentual na taxa Selic.
Antes de março, a Selic estava em 15% ao ano desde junho de 2025. O período de estabilidade ocorreu depois de o BC aumentar a taxa em 4,50 pontos a partir de setembro de 2024.
Esse foi o segundo maior ciclo de alta dos juros nos últimos 20 anos, perdendo apenas para a alta de 11,75 pontos entre março de 2021 e agosto de 2022, que ocorreu após o fim da pandemia.
Juros reais
Com a redução da Selic para 14,50%, o Brasil continua com a segunda maior taxa de juros reais do mundo, 9,33%, segundo o ranking MoneYou/Lev Intelligence. O País está atrás apenas da Rússia, com 9,67%. O México aparece em terceiro lugar, com 5,09%, seguido pela África do Sul (4,62%) e Indonésia (3,31%).
O BC calcula que a taxa real neutra de juros do Brasil – que não estimula, nem deprime a economia – é de 5,0%.
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