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Artesã transforma teclados, placas e até pacote de miojo em bolsas

Empreendedora cria acessórios com ‘upcycling’ de materiais improváveis e modelos diferentões chamam atenção do público




Kayka de Oliveira cria bolsas com materiais reciclados

Foto: Arquivo pessoal/Kayka Couto

Para muita gente, um pacote de salgadinhos ou de macarrão instantâneo, sachês de ketchup vazios, teclados de computador que já não funcionam e até placas eletrônicas sem uso podem parecer apenas lixo. Para a artesã Kayka de Oliveira Couto, tudo isso é oportunidade. Com criatividade, ela transforma itens que seriam descartados em bolsas diferentonas, e o resultado surpreendente viralizou nas redes sociais.

Pelas mãos da artesã, esses materiais ganharam nova vida como forma de expressão e até de conscientizar sobre o consumo. Foi assim que ela trocou o emprego pelo empreendedorismo, e hoje sua principal fonte de renda é a Kuhra, sua marca de acessórios.



Bolsas da marca Kuhra, de Kayka, são feitas de materiais de upcycling, que iriam para o lixo

Foto: Reprodução/Instagram

Kayka conta que sua trajetória no universo do upcycling (uma prática que reaproveita materiais descartados para criar novos produtos) começou em um momento difícil da vida. Em 2018, ela decidiu fazer um curso de costura enquanto enfrentava problemas pessoais e profissionais. “Eu tava passando por um momento não tão bom, tanto na vida pessoal quanto na carreira também”, relembra.

Ao perder o emprego, ela usou o dinheiro da rescisão para investir em conhecimento, e passou a produzir roupas, bolsas e outros acessórios em casa. Aos poucos, as peças ousadas começaram a ganhar visibilidade na internet, entre amigos e clientes. 

Peças inusitadas



Bolsas da marca Kuhra, de Kayka, são feitas de materiais de upcycling, que iriam para o lixo

Foto: Reprodução/Instagram

Foi só durante a pandemia da Covid-19 que o trabalho tomou um rumo diferente. Com o dinheiro apertado para comprar matéria-prima nova, Kayka expandiu o olhar para materiais e começou a reaproveitar roupas e outros objetos que tinha em casa para criar algo novo. “Eu comecei a transformar as minhas próprias coisas, e vi que isso chamava muito mais atenção”, conta.

Logo, os tecidos já não eram mais novidade, e a artesã passou a apostar em peças mais inusitadas. “Eu sempre tive um olhar muito mais para coisas que ninguém estava fazendo ainda”, explica. Foi assim que nasceram as bolsas feitas com teclas de teclado de computador, placas eletrônicas e outros itens.

“Eu comecei a ir no lixo eletrônico e garimpar por lá também”, diz. Hoje, Kayka mistura costura, patchwork e técnicas artesanais para criar peças únicas, quase sempre feitas sob encomenda. Segundo ela, não existe uma fórmula pronta. “Eu estou sempre inventando umas modas”, brinca.

Criatividade é exercício diário



Bolsas da marca Kuhra, de Kayka, são feitas de materiais de upcycling, que iriam para o lixo

Foto: Reprodução/Instagram

A criatividade flui conforme o dia a dia de Kayka. Embalagens de mercado, objetos descartados e materiais improváveis passaram a ser vistos por ela como matéria-prima em potencial.

“Eu comecei a olhar para além do tecido. Eu ia no mercado e olhava as embalagens e pensava: ‘isso aqui é muito bonito’”, detalha. Entre as criações que mais repercutiram nas redes sociais estão as bolsas feitas com embalagem de Fandangos, pacotes de macarrão instantâneo e sachês de ketchup. A última, inclusive, é uma das favoritas da artesã.

“Eu tinha muito medo de lançar ela, achando que era uma coisa muito fora do normal”, conta. “Mas foi uma das bolsas que eu mais acreditei”, lembra. As peças chamam atenção pelo visual irreverente, mas também pela proposta sustentável. Embora a preocupação ambiental não tenha sido o foco inicial, ela acabou se tornando parte importante do trabalho.

“Hoje em dia eu vejo o quanto isso é importante. Para quem trabalha com slow fashion, eu acho que é o único futuro possível”, afirma.

Fãs e haters

Apesar do sucesso nas redes e das aparições em reportagens e páginas virais, Kayka diz que o reconhecimento veio aos poucos, e nem sempre da forma que imaginava. “No começo, eu fazia muito pensando em viralizar”, admite. Com o tempo, porém, ela percebeu que visualizações nem sempre significam vendas.



Bolsas feitas com placas eletrônicas

Foto: Arquivo pessoal/Kayka Couto

“Às vezes chega muita gente achando que aquilo ali é feito em larga escala, e não entendem que é um processo lento, artesanal”, explica. Atualmente, cerca de 90% das encomendas são personalizadas. Clientes costumam enviar ideias próprias, que ela adapta e transforma em novas criações.

Nas redes sociais, as bolsas dividem opiniões. Enquanto muitos elogiam a originalidade das peças, outros questionam o reaproveitamento de embalagens e sucata. “Na primeira vez que viralizei com a bolsa de Fandangos, teve gente dizendo: ‘era melhor jogar no lixo’”, relembra. “Mas eu penso: por que jogar fora se pode virar algo tão bonito?”.

Apesar das críticas, os elogios motivam Kayka a seguir transformando objetos improváveis em acessórios disputados, mostrando que a criatividade pode ser o início de uma forma de empreender de forma sustentável.

Fonte: Clique aqui