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Por que os ricos britânicos estão vivendo com saúde cada vez mais que os pobres?

Condições precárias de moradia, obesidade e os efeitos da pobreza têm sido apontados como causas subjacentes




A expectativa de vida saudável (EVS) é um termo técnico usado por especialistas para estimar quantos anos de vida são vividos em plena saúde, com base em relatos dos próprios indivíduos em pesquisas, bem como em dados de mortalidade

Foto: Getty Images / BBC News Brasil

Um novo relatório indicou que o número de anos que as pessoas no Reino Unido vivem em plena saúde está diminuindo.

Na última década, a expectativa de vida saudável (EVS) — número de anos que uma população espera viver com boa saúde — no Reino Unido caiu cerca de dois anos, para pouco menos de 61 anos tanto para homens quanto para mulheres.

Entre as 21 economias mais ricas do mundo, o Reino Unido é um dos cinco casos em que a expectativa de vida saudável diminuiu, e com a segunda maior queda.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), no dado mais recente disponível, a EVS no Brasil passou de 60,9 anos em 2000 para 61,8 anos em 2021.

A Health Foundation, do Reino Unido, responsável pela análise, afirmou que essa tendência tem um custo econômico significativo e que os resultados deveriam funcionar como um marco para as políticas públicas.

Segundo a entidade, pobreza, más condições de moradia e fatores de estilo de vida, como a obesidade, estão entre as causas, além do impacto da pandemia de Covid-19.

A análise, baseada em dados do Office for National Statistics (ONS, uma espécie de IBGE britânico) entre 2022 e 2024 e entre 2012 e 2014, mostrou que moradores dos 10% de áreas mais ricas podem esperar viver cerca de 20 anos a mais com boa saúde do que aqueles das regiões mais pobres.

Na Inglaterra, Richmond, em Londres, tem as maiores taxas de EVS: 69 anos para homens e 70 para mulheres.

Em outras cidades inglesas, como Blackpool e Hartlepool, os índices são bem mais baixos: 51 anos para homens em Blackpool e 51 anos para mulheres em Hartlepool.

Londres foi a única região a registrar melhora na EVS no período analisado. Em mais de 90% das áreas, a EVS está abaixo da idade de aposentadoria estatal, de 66 ou 67 anos, e em 1 em cada 10 áreas ficou abaixo dos 55 anos.

O relatório apontou que isso afeta significativamente a capacidade de trabalho da população e está alinhado a outros dados que mostram um alto número de pessoas fora do mercado por problemas de saúde.

A comparação global, baseada em dados da OMS, comparou o Reino Unido a outras nações da Europa Ocidental, dos países nórdicos, da América do Norte e da Oceania. O país ocupa agora a 20ª posição entre 21, ficando à frente apenas dos Estados Unidos, onde a população vive menos anos com boa saúde.

A EVS é o termo técnico usado por especialistas para estimar quantos anos de vida são vividos em plena saúde, com base em relatos dos próprios indivíduos em pesquisas, bem como em dados de mortalidade.

A Health Foundation afirmou que os resultados revelam um declínio acentuado na saúde da população britânica e que isso deveria servir de alerta para os formuladores de políticas públicas.

Andrew Mooney, principal analista de dados do think tank (centro de pesquisa e debates) Health Foundation, disse: “O Reino Unido tem os maiores índices de obesidade da Europa Ocidental e houve um aumento expressivo nos problemas de saúde mental, especialmente entre os jovens.”

Segundo Mooney, isso gerou “um custo econômico significativo, com a má saúde afastando pessoas do mercado de trabalho e impedindo jovens de ter acesso à educação, emprego e formação”.

Em comparação com a EVS, a Health Foundation constatou que a expectativa de vida geral permaneceu estável.

Layla McCay, diretora de políticas da NHS Alliance, afirmou: “Os dados são um alerta claro de como as desigualdades em saúde afetam profundamente a vida das pessoas, com muitas comunidades em áreas mais pobres passando mais anos com saúde precária”.

“Nossos membros têm sido claros ao dizer que a resposta deve começar pela prevenção — enfrentar os determinantes sociais da saúde, fortalecer a assistência na comunidade e ampliar o acesso a serviços mais próximos da população”, acrescentou McCay.

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