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Quem é o ‘China’, alvo da PF que vendeu casa para ex-ministro da Justiça Lewandowski

Alvo da Polícia Federal, empresário do setor de combustíveis acumula condenações e investigações por fraudes fiscais; procurada, a defesa dele e de seus familiares não se manifestou

Investigado há anos pela Polícia Federal por sonegação, o empresário Alan de Souza Yang, de 37 anos, conhecido como “China”, foi o responsável pela venda do imóvel adquirido em 2024 pelo então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, por R$ 9,4 milhões, conforme revelou o Estadão. Procurada, a defesa de Yang e de seus familiares não se manifestou.

Negociação do imóvel

O imóvel negociado foi comprado, inicialmente, em um leilão em 2019 pelo pai de China – que também é alvo de investigações da PF -, por R$ 4,9 milhões. Em dezembro de 2023, ele vendeu a residência à sua nora, Anajá de Oliveira Santos Yang, que é casada com China, por R$ 4 milhões.

Documentos da Polícia Federal mostram, inclusive, que ela está sob suspeita de ser laranja em transações do marido, que tem parcos recursos em suas contas bancárias.

A compra do imóvel pela mulher de China foi registrada no cartório de imóveis em fevereiro de 2024. Um mês depois, a aquisição por Lewandowski foi feita com uso da empresa familiar que mantinha em sociedade com seus filhos.



Alan de Souza Yang, conhecido como China.

Foto: Reprodução / Estadão

China atua no ramo de combustíveis e construiu sua trajetória empresarial em meio a suspeitas recorrentes de irregularidades. Foi em postos de combustíveis no Paraná que investigadores passaram em 2011 a seguir os rastros deixados por ele em processos públicos no Judiciário e no Diário Oficial de Justiça.

Ele já foi investigado ao lado do pai e condenado por adulteração de gasolina, em processos que resultaram em penas brandas, como uma condenação de dois anos convertida em multa. Apesar disso, permaneceu ativo no setor.

A partir de 2021, passou a ser alvo de um inquérito mais robusto da Polícia Federal, que apura um esquema de sonegação estimado em cerca de R$ 2 bilhões, envolvendo distribuidoras e postos de combustíveis. As investigações indicam o uso de estruturas empresariais e familiares para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.

Quebras de sigilo fiscal e bancário mostraram que, enquanto China declarava rendimentos anuais de R$ 84 mil, os valores mais expressivos circulavam em nome de sua esposa, Anajá. Em apenas um mês, mais de R$ 3 milhões passaram pelas contas dela. A mulher aparece ligada a mais de 30 empresas, enquanto China figura formalmente como sócio de apenas um posto de combustível.

Já em 2025, o empresário voltou ao radar da Polícia Federal ao ser incluído entre os investigados da Operação Carbono Oculto que apura sonegação e lavagem de R$ 52 bilhões atribuída aos empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Segundo a investigação, China atuaria como braço da dupla ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ele também teria ligações com o fundo de investimentos Zeus, suspeito de lavar recursos para os dois empresários, e com empresas usadas na aquisição de usinas sucroalcooleiras.

Diante da compra da casa em 2024, Lewandowski afirma que não havia como saber que China era alvo de investigações, já que todos os processos envolvendo o empresário tramitavam em segredo de Justiça. O ex-ministro alega que conheceu os proprietários apenas no momento da negociação e que todas as certidões e documentos apresentados indicavam que o imóvel estava regular.

Fonte: Clique aqui